Sexta-feira, 17 de Julho de 2009
Livros esquecidos (13)


"Aquele que regressa através da Porta do Muro nunca será o mesmo que por ela saiu". Numa manhã de Maio de 1953, o escritor inglês Aldous Huxley (1894-1963), por efeito da ingestão de algumas decigramas de mescalina, descobre uma nova visão do mundo. Alguns meses depois escreve As Portas da Percepção (editado em 1954), relato dessa sua visita a "um outro mundo". Dois anos mais tarde, publica Céu e Inferno, onde reflectia sobre a sua propria experiência e as implicações das substâncias psicoactivas enquanto agentes de uma transformação pessoal. Autor de obras como O Admirável Mundo Novo (editado em 1932), Huxley permanece ainda pouco conhecido do grande público português.
Quinta-feira, 16 de Julho de 2009
Moving dust devils

A Spirit fotografa a paisagem de Marte com a passagem de dust devils. Ler mais aqui. Ver a imagem com definição aqui.

A Spirit fotografa a paisagem de Marte com a passagem de dust devils. Ler mais aqui. Ver a imagem com definição aqui.
Livros esquecidos (12)


Trinh Xuan Thuan é um dos mais notáveis astrofísicos contemporâneos. Nasceu em Hanoi, estudou e doutorou-se em Princeton e, desde 1976, ensina na universidade de Virginia. É responsável por vários programas norte-americanos no estudo do espaço extragaláctico. La mélodie secrète, editado pela primeira vez em 1988, é um encontro mágico com as interrogações de um eminente cientista que, filosóficamente, coloca também o problema da divindade.
Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Livros esquecidos (11)


Editado pela primeira vez em 1949, este Traité d'histoire des religions é uma das obras de referência de história comparada das religiões do século XX. Mircea Eliade nasceu na Roménia em 1907 e após a Segunda Guerra Mundial instala-se em Paris onde lecciona na Ecole Pratique des Hautes Etudes. Em 1957, é nomeado professor do Departamento de história das religiões da Universidade de Chicago onde prossegue os seus trabalhos de investigação até à sua morte em 1986. Traité d'histoire des religions conta ainda com um notável prefácio de Georges Dumézil. Com uma vasta obra publicada que vai do estudo comparado das religiões à filosofia, passando pela poesia e pelo romance, Mircea Eliade é um dos nomes incontornáveis da erudição do século XX, infelizmente pouco lembrado e lido.
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Kiefer/Widmann


Para quem estiver em Paris a partir de hoje, e até ao próximo dia 14, a não perder Au commencement, um espectáculo com música de Jörg Widmann e concepção plástica de Anselm Kiefer na Opera de Paris. Gerard Mortier, director da Opera de Paris, comissionou esta obra a Kiefer (cenários e guarda-roupa) para sete performances musicais com a música de Jörg Widmann. A não perder. Ler mais aqui.
Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Terça-feira, 30 de Junho de 2009
A ler
Hoje, Pierre Assouline comenta este "ajuste de contas" familiar de um dos mais importantes pintores contemporâneos: Garouste, l’itinéraire de la honte à la folie.
Livros esquecidos (10)


Com a primeira edição datada de 1902, A Ideia de Deus de Sampaio Bruno demorou oitenta e cinco anos a vir de novo a público, sendo a segunda edição de 1987 e, ainda, uma terceira edição de 1998. Como escreve Pinharanda Gomes no prefácio "Eis o caso de um livro que redime a miséria da filosofia escolástica ocidental na segunda metade do Oitocentos, embora o objecto livro só haja sido confeccionado em 1902, ainda no horizonte demoravam, e demorariam, os jogos crepusculares da luz e das trevas do século que já não era." O livro é composto por sete tratados que se apresentam como díades: Filosofia e Metafísica; Matemática e Poesia; Superstição e Religião; Teologia e Moral; Contingente e Necessário; Infinito e Perfeito; Mal e Bem.
Infelizmente esquecidos, autor e obra.
Infelizmente esquecidos, autor e obra.
Segunda-feira, 22 de Junho de 2009
Livros esquecidos (9)

Esta edição de Os Silos do Silêncio - Poesia (1948-2004), de 2005, da Imprensa Nacional, veio, de alguma forma, colmatar o esquecimento a que Eduíno de Jesus e a sua obra foram votados. Tendo sido publicadas três colectâneas poéticas nos anos 50 — Caminho para o Desconhecido (1952), O Rei Lua (1955) e A Cidade Destruída durante o Eclipse (1957) — Eduíno de Jesus (hoje com 81 anos) e a sua notável obra poética permanecem ignorados e esquecidos da grande maioria dos portugueses, também porque o autor se remeteu ao silêncio, fruto de uma permanente e sempre insatisfeita exigência formal. Com esta edição de Os Silos do Silêncio que reúne grande parte da obra poética (muita inédita) produzida entre 1948 e 2004 e com um muito interessante prefácio de Manuel Couto Viana, surge, para quem o queira ler e retirar do esquecimento, a importância deste poeta da geração de 50 e do melhor do lirismo português da segunda metade do século XX.
Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Livros esquecidos (8)

De Symmetria partium humanorum corporum, obra de Albrecht Dürer sobre geometria e proporção, nomeadamente do corpo humano, foi originalmente publicada na Alemanha pouco depois da sua morte e, em Paris, em 1557, 29 anos depois (Dürer morre em 1528). Em 1995, as Ediciones Versol publicam esta edição facsimile a partir da edição de Paris de 1557. Dürer deixou-nos três obras teóricas: Unterweisung der Messung mit dem Zirkel und Richtscheit, 1525, (Instrução para medições à régua e ao compasso), Arcibus castellisque condendis ac muniendis rationes aliquot, 1527, (Tratado sobre as fortificações) e Vier Bücher von menschlicher Proportion, 1528, obra vertida para o latim e de que se dá nota aqui.

De Symmetria partium humanorum corporum, obra de Albrecht Dürer sobre geometria e proporção, nomeadamente do corpo humano, foi originalmente publicada na Alemanha pouco depois da sua morte e, em Paris, em 1557, 29 anos depois (Dürer morre em 1528). Em 1995, as Ediciones Versol publicam esta edição facsimile a partir da edição de Paris de 1557. Dürer deixou-nos três obras teóricas: Unterweisung der Messung mit dem Zirkel und Richtscheit, 1525, (Instrução para medições à régua e ao compasso), Arcibus castellisque condendis ac muniendis rationes aliquot, 1527, (Tratado sobre as fortificações) e Vier Bücher von menschlicher Proportion, 1528, obra vertida para o latim e de que se dá nota aqui.
Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
Livros esquecidos (7)


Com uma primeira edição datada de 1899, este Traité de la Réintégration des Êtres de Martinès de Pasqually foi reeditado em 1974, 1984 e, novamente, facsimilado nesta edição de 1988. Primeiramente pelo fundador da editora, Henri Chacornac, depois, já com André Villain como seu director, pelas Éditions Traditionnelles, editora da notável publicação periódica Études Traditionnelles — que contava, entre outros, com a colaboração de René Guènon. As Éditions Traditonnelles já desapareceram.
Esta é a obra fundamental de Pasqually, figura polémica da segunda metade do século XVIII. Entre 1760 e 1772, Martinès percorre as principais cidades francesas recrutando no seio das lojas maçónicas clandestinas os homens que constituiriam um núcleo para o Soberano Tribunal, constituído em Paris em 1767. Nasce assim aquilo que ficou conhecido por Martinismo, numa época conturbada da Ordem. Depois da sua partida para as Antilhas em 1772, Louis Claude de Saint-Martin irá provocar uma cisão tendo em conta a negligência de Pasqually em relação às bases da instituição e ao papel das lojas azuis. A situação precipita-se em 1778 com as lojas de Paris, Versailles e Lyon a aderirem definitivamente à Estrita Observância e o lugar de grão-mestre a ser ocupado por Villermoz, sucessor de Pierre d'Aumont, sucessor de Jacques Molay.
Esta é a obra fundamental de Pasqually, figura polémica da segunda metade do século XVIII. Entre 1760 e 1772, Martinès percorre as principais cidades francesas recrutando no seio das lojas maçónicas clandestinas os homens que constituiriam um núcleo para o Soberano Tribunal, constituído em Paris em 1767. Nasce assim aquilo que ficou conhecido por Martinismo, numa época conturbada da Ordem. Depois da sua partida para as Antilhas em 1772, Louis Claude de Saint-Martin irá provocar uma cisão tendo em conta a negligência de Pasqually em relação às bases da instituição e ao papel das lojas azuis. A situação precipita-se em 1778 com as lojas de Paris, Versailles e Lyon a aderirem definitivamente à Estrita Observância e o lugar de grão-mestre a ser ocupado por Villermoz, sucessor de Pierre d'Aumont, sucessor de Jacques Molay.
Sábado, 13 de Junho de 2009
Livros esquecidos (6)


António Telmo, agora com 82 anos, é um dos poucos sobreviventes do grupo de Filosofia Portuguesa que juntou homens como Álvaro Ribeiro, José Marinho, Eudoro de Sousa e Agostinho da Silva. Esta sua primeira obra História Secreta de Portugal, de 1980, foi, como sublinha António Carlos Carvalho no prefácio, "a primeira pedra na construção de um edifício que poderá custar uma vida até ficar completo". António Telmo busca aqui um sentido para Portugal mas, mais profundamente ainda, rejeita a visão moderna da História, assumindo-se plenamente no âmbito do mito e da linguagem do simbólico.
Esquecidos, o homem e a obra, representam um dos melhores momentos da intelectualidade portuguesa dos finais do século XX.
Esquecidos, o homem e a obra, representam um dos melhores momentos da intelectualidade portuguesa dos finais do século XX.
Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
Livros esquecidos (5)


Editado pela primeira vez em 1945, Regards sur le monde actuel de Paul Valéry (aqui, nesta edição de 1988), mantem-se tão actual e pertinente como há 60 anos atrás. Valéry, para além de notável poeta, é seguramente um dos espíritos mais lúcidos do século XX. Neste conjunto de ensaios, em que precisa "quelques idées qu'il faudrait bien nommer politiques", Valéry escreve sobre a dictadura, as flutuações da liberdade ou da América como projecção do espírito europeu. Tal como na sua poesia, ou noutras preocupações ensaísticas sobre o funcionamento do intelecto ou as relações entre o sistema nervoso e os sentimentos, Valéry revela-se aqui como Claudel o definia: "...l'esprit attentif à la chair et l'enveloppant d'une espèce de conscience épidermique, le plaisir atteint par la définition, tout un beau corps gagné, ainsi que par un frisson, par un réseau de propositions exquises".
Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
Robert Rauschenberg


Inaugura amanhã no Guggenheim de Veneza a exposição Robert Rauschenberg: Gluts que poderá ser vista até 20 de Setembro. Um ano após a sua morte — Rauschenberg morreu a 12 de Maio do ano passado — a colecção Peggy Guggenheim mostra agora 40 peças dos anos 80, época em que Rauschenberg explorou as qualidades visuais do metal (entre 1986 e 1995). Ler mais aqui.
Livros esquecidos (4)


Deste livrinho já se deu muita e variada nota neste blog. Esta é uma edição facsimile da Sebastiani da edição de 1622, De Secretis Opetibus Artis Et Naturae Et De Nullitate Magiae. Este exemplar comprado há muitos anos em Itália é o nº311 de uma edição de 500. Roger Bacon (1214-1294) expõe aqui os seus estudos sobre o encantamento, as fórmulas mágicas e o seu uso, a virtude da palavra e os instrumentos artificiais de óptica bem como os processos de retardar a velhice e prolongar a vida humana.
Quinta-feira, 28 de Maio de 2009
Livros esquecidos (3)


Ruben Andersen Leitão — Ruben A. — é uma lufada de ar fresco no panorama literário português da segunda metade do século XX. Da sua obra, muito esquecida, trago aqui este exemplar nº 126 (autografado) da edição de 250 exemplares de 1954. Sempre inovador e surpreendente, Ruben A. em Caranguejo conta-nos uma história fantástica que começa no fim, pelo X capítulo e que se desenrola tecendo uma lógica própria até ao I capítulo, no final.
Segunda-feira, 25 de Maio de 2009
Livros esquecidos (2)


Nesta repescagem aleatória de livros esquecidos, esta 1ª edição de 1970 de Ambas as mãos sobre o corpo surge quase intinstivamente. Não tenho dúvidas de que Maria Teresa Horta é uma das maiores poetisas portuguesas contemprâneas (pesquisar neste blog). Aqui, Teresa Horta inicia-se no campo da ficção. Livro de momentos, de grandes pausas iniciáticas, de silêncios expressivos, cristalinamente fantástico porque dominado pela compreensão introspectiva e por um intimismo sagaz, circula da narração omnipresente até ao campo raso da corrente de consciência e cerca-se ou adorna-se de sucessivas deambulações pelos domínios da auto-interpretação, permitindo que o leitor se aperceba da solução de um enigma estranho: o da decifração do absurdo deste catácter poético e onírico, este nada, mulher ou sombra fantasmática de valores humanos que se ocultam em cada gesto, em cada segundo do decurso lentíssimo da vida.
Sábado, 23 de Maio de 2009
Livros esquecidos


Já por várias vezes se falou aqui de Matila C. Ghyka. Este livro, Esthétiques des Proportions dans la Nature et dans les Arts, completamente esquecido (e práticamente impossível de encontrar) foi a primeira obra de Ghyka a ser editada, em 1927. Esta 4ª edição que encontrei e a que a imagem se refere é de 1933. Matila Ghyka iria em 1931 sustentar, por assim dizer, a sua tese com a publicação de Le nombre d'or nos seus dois volumes Les rythmes e Les Rites. Mas já nesta obra, dedicada a Antoine Bibesco, Ghyka expõe a suas ideias fundamentais:
1 - Sobre a forma, em geral (analogia entre a evolução das espécies vivas e certas produções humanas, o conceito de proporção como característica estética mediterrânica).
2 - Sobre a proporção (partição simétrica como lógica para uma lei da economia de conceitos, a secção de ouro de Leonardo da Vinci e a sua representação algébrica, séries aditivas, série de Fibonacci e série ϕ).
3 - Sobre as entidades geométricas no plano e no espaço (o número ϕ regendo as proporções do pentágono e do decágono, o hexagrama de Salomão, o pentagrama de Pitágoras e o octógono árabe, o dodecaedro do Timeu).
4 - Sobre as partições do espaço (partições isotrópicas do espaço, princípio de Hamilton ou a lei suprema que rege os sistemas físico-químicos fechados e as suas etapas de Leonardo da Vinci a Einstein).
5 - Sobre o crescimento harmonioso (papel preponderante da simetria pentagonal e da secção de ouro na morfologia dos seres vivos, o crescimento homotético dos seres vivos e a geometria gnométrica dos antigos).
6 - Sobre os cânones rectangulares (os rectangulos dinâmicos de Hambidge, rectangulos recíprocos e crescimento gnomónico).
7 - Sobre a proporção e o volume (aplicação aos volumes ortogonais das noções de proporção e de simetria dinâmica, o sólido de ouro de Colman, a Câmara do Rei e outros volumes egípcios).
8 - Sobre a pirâmide de Chéops (propriedades geodésicas e astronómicas da Grande Pirâmide, propriedades matemáticas).
9 - Sobre a ciência do espaço e a evolução da arquitectura mediterrânica (a teoria dos grupos e das invariáveis como conquista da ciência mediterrânica, a síntese do Universo e das Ideias-Números e a filosofia da forma pura).
1 - Sobre a forma, em geral (analogia entre a evolução das espécies vivas e certas produções humanas, o conceito de proporção como característica estética mediterrânica).
2 - Sobre a proporção (partição simétrica como lógica para uma lei da economia de conceitos, a secção de ouro de Leonardo da Vinci e a sua representação algébrica, séries aditivas, série de Fibonacci e série ϕ).
3 - Sobre as entidades geométricas no plano e no espaço (o número ϕ regendo as proporções do pentágono e do decágono, o hexagrama de Salomão, o pentagrama de Pitágoras e o octógono árabe, o dodecaedro do Timeu).
4 - Sobre as partições do espaço (partições isotrópicas do espaço, princípio de Hamilton ou a lei suprema que rege os sistemas físico-químicos fechados e as suas etapas de Leonardo da Vinci a Einstein).
5 - Sobre o crescimento harmonioso (papel preponderante da simetria pentagonal e da secção de ouro na morfologia dos seres vivos, o crescimento homotético dos seres vivos e a geometria gnométrica dos antigos).
6 - Sobre os cânones rectangulares (os rectangulos dinâmicos de Hambidge, rectangulos recíprocos e crescimento gnomónico).
7 - Sobre a proporção e o volume (aplicação aos volumes ortogonais das noções de proporção e de simetria dinâmica, o sólido de ouro de Colman, a Câmara do Rei e outros volumes egípcios).
8 - Sobre a pirâmide de Chéops (propriedades geodésicas e astronómicas da Grande Pirâmide, propriedades matemáticas).
9 - Sobre a ciência do espaço e a evolução da arquitectura mediterrânica (a teoria dos grupos e das invariáveis como conquista da ciência mediterrânica, a síntese do Universo e das Ideias-Números e a filosofia da forma pura).
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
Correio da Cassini
A sombra que Epimetheus projecta nos anéis de Saturno, filmada pela Cassini. Aqui.
A sombra que Epimetheus projecta nos anéis de Saturno, filmada pela Cassini. Aqui.
Lointains

Foto de Katarzyna Widmanska
Les yeux dans les yeux, dans la fraîcheur,
commençons aussi cela par exemple:
respirons
ensemble le voile
qui nous cache l'un à l'autre,
quand le soir se dispose à mesurer
tout ce qui sépare encore chacune
de ses propres figures
de chacune de celles
qu'il nous a à tous deux prêtées.
Paul Celan in De seuil en seuil, 1991.

Foto de Katarzyna Widmanska
Les yeux dans les yeux, dans la fraîcheur,
commençons aussi cela par exemple:
respirons
ensemble le voile
qui nous cache l'un à l'autre,
quand le soir se dispose à mesurer
tout ce qui sépare encore chacune
de ses propres figures
de chacune de celles
qu'il nous a à tous deux prêtées.
Paul Celan in De seuil en seuil, 1991.
Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Grille de parole

Foto de Katarzyna Widmanska
Rond d'un oeil entre les barres.
Vibratile animal paupière
rame vers le haut,
permet un regard.
Iris, nageuse, sans rêve et morose:
le ciel, gris-coeur, doit être proche.
Penché, dans la bobèche de fer,
le copeau fumeux cracheur de suie.
Au sens de la lumière
tu devines l'âme.
(Si j'étais comme toi. Si tu étais comme moi.
N'étions-nous pas
sous un seul et même alizé?
Nous sommes des étrangers.)
Les carreaux, par terre. Dessus,
serrées l'une contre l'autre, les deux
flaques gris-coeur:
deux
pleines bouches de silence.
Paul Celan in Grille de parole, 1991.

Foto de Katarzyna Widmanska
Rond d'un oeil entre les barres.
Vibratile animal paupière
rame vers le haut,
permet un regard.
Iris, nageuse, sans rêve et morose:
le ciel, gris-coeur, doit être proche.
Penché, dans la bobèche de fer,
le copeau fumeux cracheur de suie.
Au sens de la lumière
tu devines l'âme.
(Si j'étais comme toi. Si tu étais comme moi.
N'étions-nous pas
sous un seul et même alizé?
Nous sommes des étrangers.)
Les carreaux, par terre. Dessus,
serrées l'une contre l'autre, les deux
flaques gris-coeur:
deux
pleines bouches de silence.
Paul Celan in Grille de parole, 1991.
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
La main pleine d'heures

Foto de Katarzyna Widmanska
La main pleine d'heures, ainsi tu vins à moi — j'ai dit:
tu n'as pas les cheveux bruns.
Alors tu les as soulevés et mis légers sur la balance de la douleur: ils étaient lourds que moi...
Ils viennent à toi sur des navires et les y chargent, ils les écoulent sur les marchés du plaisir —
Tu souris vers moi depuis la profondeur, je pleure vers toi depuis le plateau qui demeure léger.
Je pleure: tu n'as pas les cheveux bruns, ils offrent l'eau de la mer, et tu leur donnes des boucles...
Tu chuchotes: ils remplissent le monde rien qu'avec moi et je demeure un chemin creux dans ton coeur!
Tu dis: mets avec toi le feuillage des années — il est temps que tu viennes et m'embrasses!
Le feuillage des années est brun, tes cheveux ne le sont pas.
Paul Celan in Pavot et Mémoire, 1987.

Foto de Katarzyna Widmanska
La main pleine d'heures, ainsi tu vins à moi — j'ai dit:
tu n'as pas les cheveux bruns.
Alors tu les as soulevés et mis légers sur la balance de la douleur: ils étaient lourds que moi...
Ils viennent à toi sur des navires et les y chargent, ils les écoulent sur les marchés du plaisir —
Tu souris vers moi depuis la profondeur, je pleure vers toi depuis le plateau qui demeure léger.
Je pleure: tu n'as pas les cheveux bruns, ils offrent l'eau de la mer, et tu leur donnes des boucles...
Tu chuchotes: ils remplissent le monde rien qu'avec moi et je demeure un chemin creux dans ton coeur!
Tu dis: mets avec toi le feuillage des années — il est temps que tu viennes et m'embrasses!
Le feuillage des années est brun, tes cheveux ne le sont pas.
Paul Celan in Pavot et Mémoire, 1987.
Terça-feira, 19 de Maio de 2009
Éloge du lointain

Foto de Katarzyna Widmanska
Dans la source de tes yeux
vivent les nasses des pêcheurs de la mer délirante.
Dans la source de tes yeux
la mer tient sa parole.
J'y jette,
coeur qui a séjourné chez des humains,
les vêtements que je portais et l'éclat d'un serment:
Plus noir au fond du noir, je suis plus nu.
Je ne suis, qu'une fois renégat, fidèle.
Je suis toi, quand je suis moi.
Dans la source de tes yeux
je dérive et rêve de pillage.
Une nasse a capturé dans ses mailles une nasse:
nous nous séparons enlacés.
Dans la source de tes yeux
un pendu étrangle la corde.
Paul Celan in Pavot et Mémoire, 1987.

Foto de Katarzyna Widmanska
Dans la source de tes yeux
vivent les nasses des pêcheurs de la mer délirante.
Dans la source de tes yeux
la mer tient sa parole.
J'y jette,
coeur qui a séjourné chez des humains,
les vêtements que je portais et l'éclat d'un serment:
Plus noir au fond du noir, je suis plus nu.
Je ne suis, qu'une fois renégat, fidèle.
Je suis toi, quand je suis moi.
Dans la source de tes yeux
je dérive et rêve de pillage.
Une nasse a capturé dans ses mailles une nasse:
nous nous séparons enlacés.
Dans la source de tes yeux
un pendu étrangle la corde.
Paul Celan in Pavot et Mémoire, 1987.
