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terça-feira, 18 de maio de 2004

 
«Vejo os olhos que viram o Imperador», diz Barthes comentando uma imagem fotográfica de Jerôme, irmão mais novo de Napoleão, fotografia tirada em 1852. A fotografia em causa é, evidentemente “consciente”, está patente a intencionalidade do retrato na pose do rapaz.
A fotografia-retrato (de alguma maneira, é-o sempre) pode, no entanto, remeter para níveis de consciência bem diferenciados. Há algumas imagens fotográficas, principalmente do início da Fotografia enquanto experiência estética e ontológica, que fazem notoriamente a distinção de diferentes níveis de consciência nessa relação simbiótica e “instantânea” entre o que fotografa e o que é fotografado. O primeiro exemplo que seleccionei é o da foto tirada por Molard de Louis Dodier na prisão, aguardando a execução,(1847). A “consciência” da foto é evidente mas remete para uma passividade forçada pelas circunstâncias. O olhar perturbado e perturbador do condenado ultrapassa qualquer intenção estética. Fica-nos a certeza inapelável daquela morte, aquele homem é como se já estivesse morto. Olha (para nós?) como alguém que já não tem nenhuma relação com “o lado de cá”. Poder-se-ía perguntar quem observa quem?


Retrato de Louis Dodier na prisão, aguardando a execução (1847)

A segunda selecção de imagens prende-se rigorosamente com o oposto. Trata-se de duas fotos características do género erótico, a primeira de autoria de Jacques Moulin, a segunda de autor anónimo, ambas de 1850. Em ambas, os modelos, têm plena consciência da sua condição de modelos. Olham a câmara com ostentação, pretendem ser o alvo do fotógrafo. Qualquer uma das fotos é trabalhada, estudada pormenorizadamente. A segunda, mais arrojada, menos pictural, remete, no entanto, para o quadro de Courbet, L’Origin du Monde, pintado, por esta altura, para o embaixador otomano Khalil Bey.


Duas mulheres (1850)


Mulher (1850)

A terceira imagem é, sem dúvida, a mais perturbadora. Trata-se do retrato post mortem de uma mulher, de autor anónimo, também de 1850. Nestes retratos post mortem nota-se a inexistência de simbiose entre o observador e a coisa observada. É como se o nível de consciência da captação do real estivesse incompleto. Também isto se verifica pela distância do nosso olhar perante estas imagens. Falta a ligação afectiva que permita adoptar um ponto de vista, qualquer que seja – histórico, sociológico ou estético. Mas, independentemente de qualquer fenómeno identificador, a contemplação da pessoa morta reveste-se friamente de um carácter clínico e documental. Estes retratos eram guardados na intimidade das famílias para, simultâneamente, confirmarem a realidade da existência e do desaparecimento de um ente querido.


Retrato Post Mortem (1850)



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