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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

 
NASA

Imagens fantásticas da missão da Discovery. Acompanhe aqui em directo:

NASA TV

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Cores

Os Pardos viviam fora da cidade. A família de avó, pais e dois filhos não se preocupava muito com a vida nos grandes meios — levavam-se no existir pela periferia. Várias vezes já os Pardos tinham mudado de arredores: de Algés ultrapassaram-se para Sete Rios e mais tarde para a Amadora. Formavam meio-alegres um semicírculo que ia de ponta a ponta do Tejo deixando a capital englobada pelo seu aspecto dromedário.

A avó dos Pardos permanecia no estado de viúva desde a primeira guerra mundial. Não que o marido se tivesse uniformizado para ir a campanhas de França ou de terras escuras de Angola, mas sim por ter caído de cama com a bicha da pneumónica a roer-lhe os bofes. Tinha sido uma morte de segunda classe num dia cinzento e sem futuro. O marido nem sequer era sargento. Nesse dia o céu mesclara-se sujo desde a manhã e, quando o esquife saiu para o Alto de São João, todos de preto se puseram em andamento. Estava um céu a ameaçar chuva de trovoada — coisa sufocante para quem ia no caixão.


Ruben A.
in Cores, 1960.


sábado, 29 de agosto de 2009

 
NASA

Em directo, a partida da Discovery:

NASA TV

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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

 
(se não conseguir visualizar, seleccione a partir daqui)
Cores


D. Branca morava no Porto e sofria, por vezes, de chiliques inofensivos. Era um costume dos últimos anos que a dominava nas tardes de mau génio. Ficava então toda e toda confundida num deixar-se apoderar de outras cores. D. Branca virava-se encurvada, apoplética, sem ter mão em si barafustava até ir tudo razo. Para as criadas, nos momentos assim, a vida com D. Branca era negra. Mourejavam o pão e só respiravam claridade quando D. Branca estava a dormir. No sono ela parecia uma pomba mostrando seus cabelos grisalhos.
Depois dos achaques, D. Branca ficava cor de cera, parecia pronta para embarcar no comboio mistério da morte.

Ruben A.
in Cores, 1960.


 
A ler

Hoje, no Caderno de Saramago, "A junta do motor" ou a origem de um escritor.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

 
Cores

Findo o espectáculo, em toda a assistência se notava um contentamento pouco expressivo. Alguns, uma minoria muito débil, exteriorizavam apenas em monossílabo a sua apreciação: Sim, Bom, Assim, Assim, Talvez, Uhi! Aquilo, de facto, era para voltar. O que eles tinham dito em cena precisava de meditação. Não ficava por ali. Do outro lado, os artistas, abatidos, estafados e sem sorrisos, ingressavam no monótono dos seus camarins.

A peça deixava sempre o público em suspenso — um sorriso amarelo distinguia na pequena cidade de província, talvez Barcelos, talvez Estremoz, as pessoas que tinham visto a peça, das que ainda lá não tinham ido.



Ruben A. in Cores, 1960.

 
Ouvindo:



Baptiste Trotignon: Dust

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

 
Cores

A transfusão de sangue tinha operado o seu milagre — realmente o sangue azul corria-lhe nas veias em caudal abundante, até mesmo suficiente para um bom aproveitamento sanguíneo-eléctrico.
A operação fora difícil, mas os aperfeiçoamentos científicos da medicina moderna haviam atingido em cheio o objectivo do novo Visconde. A franca convalescênça provara o bom resultado da transfusão. Estavam todos satisfeitos — o médico que tão auspiciosamente fizera a melindrosa intervenção cirúrgica —, o fidalgo que, arruinado dos pés à cabeça, ainda se aproveitara do seu sangue para arranjar uns cobres com a transfusão —, as enfermeiras cheias de taluda gorjeta —, e, finalmente e o mais importante, o nosso banqueiro industrial no Portugal e Colónias, a partir deste momento promovido a Visconde da Beringela, com feudo de outrora sobre o Almirantado de Cochim e das ilhas Maldivas e Senhor das terras do Lindoso, na raia limiana.


Ruben A. in Cores, 1960.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

 
Ouvindo:



Baptiste Trotignon: Moods

 
Cores

Todas as vezes que entrava numa sala onde estava gente ele fazia-se vermelho.
Era-lhe normal corar quando alguém mentia. Sentia a mentira à distância e captava-a sem mais nem menos. O sangue dava-lhe tabefes desproporcionados e quase sufocava ao ver uma senhora a dizer quantos anos tinha. A mentira fazia-o sofrer e sentia o sopapar das veias ao vestibular-se nos hotéis dos países mais conhecidos.

Ruben A. in Cores, 1960.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

 
Livros esquecidos (17)



Lewis Carroll é sobretudo lembrado pela sua Alice no País das Maravilhas. No entanto, uma das suas mais fascinantes obras é este (esquecido) A Caça ao Snark. Ao contrário de Alice que, como toda a prosa, foi lido por milhões de pessoas em todo o mundo, o Snark nao teve a mesma sorte talvez por ser um poema. Escrito entre 1874 e 1876, quando Carroll tinha já os seus 42 anos, este poema modernista abandona a lógica do bom senso e impõe uma lógica do absurdo em que a linguagem é sujeita a um processo de recriação. O próprio Snark, objecto da caçada, é qualquer coisa que se situa entre o snail (caracol), snake (cobra) e shark (tubarão). O que é afinal? Durante todo o poema Carroll não o esclarece. Numa carta escreve "No entanto, sabem?, as palavras querem dizer mais do que nós queremos dizer quando as usamos: por isso, um livro inteiro haverá de querer dizer mais do que o autor quis dizer".

domingo, 9 de agosto de 2009

 
A ler

A sombra do pai (1) e A sombra do pai (2) no Caderno de Saramago.

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