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terça-feira, 31 de janeiro de 2006

 
Correio da Cassini



A bela Dione a cores. Atrevimentos da Cassini...

domingo, 29 de janeiro de 2006

 
Movimentos 6


Foto de M. Ziks


Recusa sistemáticamente as pessoas e os gestos de oferta. Há muito que se esqueceu dos outros... quando a magoam: lembra-se. Mas lembrar-se-á ela de alguma cooisa?
Quando sorri, é como se um véu lhe cobrisse o rosto.

Maria Teresa Horta in Ambas as mãos sobre o corpo, 1970.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

 
Movimentos 5


Foto de Pascal Curtil


Oferecia o corpo com a mesma suavidade. As pernas esguias ou o ventre, tal como os seios e os ombros, tinham um contorno adolescente onde ela domava o vício, onde ela soltava, às vezes, o vício, com um torpor ou com uma liberdade total, uma necessidade extrema. E o gemido enchia a casa depois de sair mordido da sua boca.

Maria Teresa Horta in Ambas as mãos sobre o corpo, 1970.

 
ALLER/RETOUR



O Centre culturel suisse de Paris apresenta até 26 de Março três exposições de Ian Anüll, Marco Poloni e Irene Hug. Ian Anüll é um artista suíço nascido em 1948 que sempre se manteve distante dos grandes circuitos internacionais com breves aparições aqui e ali, nomeadamente na Bienal de S. Paulo em 1991. O Centre culturel suisse de Paris organiza agora uma primeira grande exposição da sua obra em França. Anüll mostra pintura, aguarelas e fotografia.
Marco Poloni é um jovem nascido em 1964 que representou a Suíça na última Bienal de Veneza. Mostra aqui 64 fotografias com o título AKA (Also Known As) – Script for a Short film.
Irene Hug mostra uma instalação composta por fotografias, pintura e escultura em que interroga a linguagem da publicidade e a saturação de signos gráficos nas sociedades contemporâneas.
Até 26 de Março no número 38 da rue des Francs-Bourgeois, em Paris.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

 
Correio da Cassini



Tethys parece aqui escapar aos anéis que a tentam alcançar. Intimidades...

 
Ana Torfs



Ana Torfs mostra no Gesellschaft für Aktuelle Kunst, em Bremen, o trabalho dos últimos 5 anos. Figuren/Projektionen são três instalações com projecção de slides e um conjunto de impressões de grande formato em que Ana Torfs explora os conceitos de figura e identidade e de projecção — técnica mas também psicológica. A obra desta artista belga nascida em 1963 está profundamente ligada à fotografia e ao cinema. Será lançado um livro sobre esta exposição com ensaios de Dirk Lauwaert, Gabriele Mackert, Catherine Robberechts e Jean Torrent.
Inaugura amanhã.



terça-feira, 24 de janeiro de 2006

 
Movimentos 2


Foto de Marius Krmpotic


E as minhas mãos sobre o lençol caminham à procura do teu corpo, percorrem-no brandas, primeiro brandas e à medida que melhor te distingo no escuro quarto, imóvel, aguardando-as, mergulho em ti a minha boca: as mãos a tropeçarem no desejo.

Maria Teresa Horta in Ambas as mãos sobre o corpo, 1970.

 
Marc Desgrandchamps



Nascido em 1960, vivendo e trabalhando em Lyon e tendo-se mantido durante anos fora do sistema vedetista internacional, Marc Desgrandchamps é sem um dos mais interessantes pintores franceses contemporâneos. Até 6 de Março o centro Pompidou é o espaço para conhecer ou rever a obra de Marc Desgrandchamps.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

 
Movimentos 7


Já nada há a fazer. Passeia fechada no seu jardim... As coisas acontecem sem finalidade: sente-as de um modo irremediável. É preciso afundar-se mais e mais em si própria, esquecendo-se mais e mais de si própria e dos outros...

Maria Teresa Horta in Ambas as mãos sobre o corpo, 1970

 
Correio da Cassini




Mimas e Dione. Alinhadas sobre os anéis. Intimidades...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

 
Dick Bengtsson



Dick Bengtsson (1936–1989) é, juntamente com Öyvind Fahlström, um dos mais perturbantes e dotados pintores suecos do século XX. Tendo influenciado mais do que uma geração de jovens artistas desde os anos 60, Dick Bengtsson só se tornou mais conhecido a partir de 1983 quando o Moderna Museet apresentou uma primeira grande exposição da sua obra. Nos seus retratos é acentuado o sentido da impenetrabilidade das identidades.
Inaugura amanhã no Moderna Museet, em Estocolmo, e poderá ver-se até 30 de Abril.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2006

 
Movimentos 7


Foto de Estela Rivero


Tropeça numa fuga detida por acaso. Encosta-se à parede lisa e inclina a cabeça junto ao frio branco da parede do corredor. Os joelhos vergam-se-lhe. Sente que a palidez lhe cresce num suor brando entre os seios soltos. E uma lentidão ou suor de cama.

Maria Teresa Horta in Ambas as mãos sobre o corpo, 1970.

 
Notre histoire...



Adel Abdessemed, Boris Achour, Saâdane Afif, Kader Attia, Olivier Babin, Jules de Balincourt, Virginie Barré, Rebecca Bournigault, Mircea Cantor, Alain Declercq, Leandro Erlich, Laurent Grasso, Loris Gréaud, Kolkoz, Arnaud Labelle-Rojoux, Matthieu Laurette, Michael Lin, Mathieu Mercier, Jean-François Moriceau et Petra Mrzyk, Nicolas Moulin, Valérie Mréjen, Bruno Peinado, Bruno Serralongue, Nathalie Talec, Agnès Thurnauer, Barthélémy Toguo, Tatiana Trouvé, Fabien Verschaere e Wang Du, são os vinte e nove jovens artistas cujas obras poderão ser vistas a partir de amanhã e até 7 de Maio no Palácio de Tokyo, em Paris.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

 
Movimentos 3


Foto de Lylia Corneli

Volta-se defronte do espelho, apanha a cinta estendida na borda da cama. Vira-se: os seios vêem-se-lhe, queimados, negros de sol, no pequeno soutien de renda aberta. Parecem totalmente nus. Olha-os assim, nus. O calor alastrou pelo quarto, é um calor peganhento, feito de pequenos odores e de pequenas cores dissimuladas.
Os dedos deslizam sobre a pele, descendo suavemente.

Maria Teresa Horta in Ambas as mãos sobre o corpo, 1970.

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

 
Correio da Cassini



A Cassini afastou-se. Este é o ponto de maior afastamento na sua órbita elíptica. Aqui, Saturno ao longe. Sem intimidades.

 
Ernst Caramelle



A obra gráfica de Ernst Caramelle produzida entre 1974 e 2005 poderá ser vista no Badischer Kunstverein em Karlsruhe até 26 de Fevereiro. Nascido em Tirol em 1952, Ernst Caramelle é professor no Karlsruher Kunstakademie desde 1994. Com uma das obras gráficas contemporâneas mais interessantes, Ernst Caramelle explora os conceitos de repetição e autenticidade e as relações entre o original a cópia. Esta exposição será, durante o Verão, mostrada em Serralves que possui na sua colecção parte significativa da obra gráfica deste autor.
Inaugura amanhã.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

 
Da poesia

Ao que parece, duas causas, e ambas naturais, geraram a poesia. O imitar é congénito no homem (e nisso difere dos outros viventes, pois, de todos, é ele o mais imitador e, por imitação, apreende as primeiras noções), e os homens se comprazem no imitado.
Sinal disto é o que acontece na experiência: nós contemplamos com prazer as imagens mais exactas daquelas mesmas coisas que olhamos com repugnância, por exemplo animais ferozes e cadáveres. Causa é que o aprender não só muito apraz aos filósofos, mas também, igualmente, aos demais homens, se bem que menos participem dele. Efectivamente, tal é o motivo por que se deleitam perante as imagens: olhando-as, aprendem e discorrem sobre o que seja cada uma delas, por exemplo, "este é tal". Porque, se suceder que alguém não tenha visto o original, nenhum prazer lhe advirá da imagem, como imitada, mas tão-somente da execução, da cor ou qualquer outra da mesma espécie.

Aristóteles in Poética, IV, 4, 13, 14.

 
A ler

Assouline, hoje, no La république des livres. Poderá não ser uma especialidade francesa mas que durante a Guerra a França teve especialistas como nenhum outro país ocupado, lá isso teve.

 
Gut ist was gefällt



Wolfgang Tillmans, Hans-Peter Feldmann e Lucien Samaha, juntamente com um conjunto de alunos do seu curso — Anette Babl, Anne Lina Billinger, Billa Burger, Jakob Emdal, Sybille Fendt, Özlem Günyol, Mustafa Kunt, Jonas Leihener, Flo Maak, Sarah Ortmeyer, Jelena Trivic, Zpugmai Zadran —, apresentam no Museum für Moderne Kunst (MMK) em Frankfurt um conjunto de obras de gravura, pintura, fotografia, video e arte conceptual. Wolfgang Tillmans dirige desde 2003 no Staatliche Hochschule für Bildende Künste, em Frankfurt, um curso interdisciplinar que envolve a exploração de vários mediums e técnicas. A exposição pode ser vista até 12 de Fevereiro.

domingo, 15 de janeiro de 2006

 
A brusca poesia da mulher amada (II)


Foto de Delphine LeBerre

A mulher amada carrega o cetro, o seu fastígio
É máximo. A mulher amada é aquela que aponta para a noite
E de cujo seio surge a aurora. A mulher amada
É quem traça a curva do horizonte e dá linha ao movimento dos
astros.
Não há solidão sem que sobrevenha a mulher amada
Em seu acúmen. A mulher amada é o padrão índigo da cúpula
E o elemento verde antagônico. A mulher amada
É o tempo passado no tempo presente no tempo futuro
No sem tempo. A mulher amada é o navio submerso
É o tempo submerso, é a montanha imersa em líquen.
É o mar, é o mar, é o mar a mulher amada
E sua ausência. Longe, no fundo plácido da noite
Outra coisa não é senão o seio da mulher amada
Que ilumina a cegueira dos homens. Alta, tranqüila e trágica
É essa que eu chamo pelo nome de mulher amada.
Nascitura. Nascitura da mulher amada
É a mulher amada. A mulher amada é a mulher amada é a mulher
amada
É a mulher amada. Quem é que semeia o vento? – a mulher amada!
Quem colhe a tempestade? – a mulher amada!
Quem determina os meridianos? – a mulher amada!
Quem a misteriosa portadora de si mesma? A mulher amada.
Talvegue, estrela, petardo
Nada a não ser a mulher amada necessariamente amada
Quando! E de outro não seja, pois é ela
A coluna e o gral, a fé e o símbolo, implícita
Na criação. Por isso, seja ela! A ela o canto e a oferenda
O gozo e o privilégio, a taça erguida e o sangue do poeta
Correndo pelas ruas e iluminando as perplexidades.
Eia, a mulher amada! Seja ela o princípio e o fim de todas as coisas.
Poder geral, completo, absoluto à mulher amada!

Vinicius de Moraes

Rio de Janeiro, 1950


in Novos Poemas (II)
in Poesia completa e prosa: "Poesia varia"

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

 
Correio da Cassini



Saturno, o Senhor do Tempo. Em cores naturais.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

 
A uma amiga


Foto de Lylia Corneli


Aqueles, que eu amei, não sei que vento

Os dispersou no mundo, que os não vejo...
Estendo os braços e nas trevas beijo

Visões que à noite evoca o sentimento...


Outros me causam mais cruel tormento

Que a saudade dos mortos... que eu invejo...

Passam por mim, mas como que têm pejo

Da minha soledade e abatimento!


Daquela primavera venturosa

Não resta uma flor só, uma só rosa...

Tudo o vento varreu, queimou o gelo!


Tu só foste fiel — tu, como d'antes,

Inda volves teus olhos radiantes...
Para ver o meu mal... e escarnecê-lo!


Antero de Quental
in Sonetos Completos.

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

 
Hilda come Od



Mesmo os mais vegetarianos de vez em quando fazem uma "perninha".
Um obrigado à Sara do Vidro duplo.

 
Caos

Obras em casa é sempre uma passagem, sempre ilusóriamente menos temporária do que se julga, da ordem ao caos. Mesmo que subsista a esperança da ordem antiga, o que vem a seguir é sempre uma nova ordem. Mas o mais interessante de tudo isto não é propriamente imaginar essa nova ordem mas deixarmo-nos surpreender pelo caos. É neste caos que o ter e o ser se conjugam no mesmo tempo. Viver no meio de caixas de cartão onde toda a nossa vida se arruma na desordem natural de uma cronologia não respeitada. Sempre que se procura alguma coisa neste caos é-se surpreendido por outra que surge irónicamente do vazio da memória. O caos é o jardim onde a memória brinca.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

 
Quatro sonetos de meditação


Foto de Lylia Corneli


Mas o instante passou. A carne nova
Sente a primeira fibra enrijecer
E o seu sonho infinito de morrer
Passa a caber no berço de uma cova.

Outra carne vírá. A primavera
É carne, o amor é seiva eterna e forte
Quando o ser que viver unir-se à morte
No mundo uma criança nascerá.

Importará jamais por quê? Adiante
O poema é translúcido, e distante
A palavra que vem do pensamento

Sem saudade. Não ter contentamento.
Ser simples como o grão de poesia.
E íntimo como a melancolia.

Vinicius de Moraes

Oxford, 1938


in
Poemas, sonetos e baladas

in Antologia Poética
in
Livro de Sonetos

in
Poesia completa e prosa: "O encontro do cotidiano"

sábado, 7 de janeiro de 2006

 

Foto de Lylia Corneli


Tanta mentira se espalha

Sobre a nossa convivência,
Que te peço que me vejas

Assìduamente. — Não marques

A sombra sempre confusa

Que há nos silêncios da ausência.


Deixá-los dizer

Que somos dois amantes; faz-me rir,

Mesmo até sem ter vontade...


— Uma verdade na vida,

De qualquer modo que a vejam

É sempre a mesma verdade.


António Botto
in As Canções de António Botto, 1944.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

 
A lenda

Abel e Caim encontraram-se depois da morte de Abel. Caminhavam pelo deserto e reconheceram-se de longe, porque eram ambos muito altos. Os irmãos sentaram-se na terra, fizeram uma fogueira e comeram. Guardavam silêncio, à maneira de pessoas cansadas quando declina o dia. No céu aparecia uma ou outra estrela, que ainda não recebera nome. À luz das chamas, Caim reparou na marca da pedra na testa de Abel e deixou caír o pão que ía levar à boca e pediu que lhe fosse perdoado o seu crime.
Abel respondeu:
— Tu mataste-me ou fui eu que te matei? Já não me lembro; aqui estamos juntos como dantes.
— Agora sei que na verdade me perdoaste — disse Caim —, porque esquecer é perdoar. Eu tratarei também de esquecer.
Abel disse devagar:
— É verdade. Enquanto dura o remorso dura a culpa.

J. L. Borges in Elogio da Sombra, 1969.

 
Correio da Cassini



Tethys namorando Saturno. Em cor natural. Intimidades...

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

 
Deserto



Cáceres Monteiro, 1949-2006. Vão desaparecendo os grandes jornalistas.

 
A ler

Hoje, Assouline em La République des livres.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

 
Correio da Cassini



O passeio diário de Pandora: discretamente, ao longo dos anéis. Intimidades...

 
Xadrez


Foto de Lylia Corneli


Regem no seu recanto os jogadores
As lentas peças. Esse tabuleiro
Demora-os toda a noite no severo
Âmbito em que se odeiam duas cores.

Dentro irradiam mágicos rigores
As formas: torre homérica, ligeiro
Cavalo, sagaz dama, rei postreiro,
Bispo oblíquo e peões agressores.

E quando os jogadores tiverem ido,
Depois do tempo os ter já consumido,
Decerto não terá cessado o rito.

No Oriente incendiou-se esta guerra
Cujo anfiteatro é hoje toda a terra.
Como o outro, este jogo é infinito.

J. L. Borges in O Fazedor, 1960.

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