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quarta-feira, 16 de junho de 2004

 
Bom dia.
Ainda Manoel de Barros

Da Primeira Parte -

UMA DIALÉTICA DA INVENÇÃO


I


Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:

a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca

b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer

c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas

tem devoção por túmulos

d) Se o homem que toca de tarde sua existência num

fagote tem salvação

e) Que um rio que flui entre dois jacintos carrega

mais ternura que um rio que flui entre dois

lagartos

f) Como pegar na voz de um peixe

g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.

etc

etc

etc

Desaprender oito horas por dia ensina os princípios.



II



Desinventar objetos. O pente, por exemplo. Dar ao

pente funções de não pentear. Até que ele fique à

disposição de ser uma begônia. Ou uma gravanha.



III



Repetir repetir - até ficar diferente.

Repetir é um dom do estilo.



IV


No Tratado das Grandezas do Ínfimo estava escrito:

Poesia é quando a tarde está competente para dálias.

É quando

Ao lado de um pardal o dia dorme antes.

Quando o homem faz sua primeira lagartixa.

É quando um trevo assume a noite.

E um sapo engole as auroras.



VII



No descomeço era o verbo

Só depois é que veio o delírio do verbo.

O delírio do verbo estava no começo, lá onde a

criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.

A criança não sabe que o verbo escutar não funciona

para cor, mas para som.

Então se a criança muda a função de um verbo, ele

delira.

E pois.

Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer

nascimentos-

O verbo tem que pegar delírio.



XIX



O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a

imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás

de casa.

Passou um homem depois e disse: Essa volta que o

rio faz por trás de sua casa se chama enseada.

Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que

fazia uma volta atrás de casa.

Era uma enseada.

Acho que o nome empobreceu a imagem.



(XXI)



Ocupo muito de mim com o meu desconhecer.

Sou um sujeito letrado em dicionários.

Não tenho que 100 palavras.

Pelo menos uma vez por dia me vou no Morais ou

no Viterbo-

A fim de consertar a minha ignorãça,

mas só acrescenta.

Despesas para minha erudição tiro nos almanaques:

Ser ou não ser, eis a questão.

Ou na porta dos cemitérios:

Lembra que és pó e que ao pó tu voltarás.

ou no verso das folhinhas:

Conhece-te a ti mesmo.

ou na boca do povinho:

Coisa que não acaba no mundo é gente besta

e pau seco.

Etc

Etc

Etc

Maior que o infinito é a encomenda.



XIV



Poesia é voar fora da asa.


Manoel de Barros


Um abraço à Helena Monteiro.




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