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segunda-feira, 5 de julho de 2004

 
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And once you have walked the length of your mind, what
You command is as clear as a lading-list
Anything else must not, for you, be thought
To exist.
And what's the profit? Only that, in time
We half-identify the blind impress
All our behavings bear, may trace it home.
But to confess,
On that green evening when our death begins,
Just what it was, is hardly satisfying,
Since it applied only to one man once,
And that man dying.


Philip Larkin

O poema fala do medo de morrer, do medo da extinção que Larkin confessou em algumas entrevistas. Mas «medo da extinção» é uma expressão inútil. Medo da inexistência enquanto tal é algo que não existe, existindo apenas o medo de uma perda concreta. «Morte» e «nada» são termos de igual ressonância, termos igualmente vazios. Dizer que se receia qualquer uma destas coisas é tão inadequado como a tentativa de Epicuro de dizer porque não as devemos recear. Epicuro dizia «quando existo, a morte não existe, e quando a morte existe, não existo», trocando assim uma vacuidade por outra. É que a palavra «eu» é tão vazia quanto a palavra «morte». Para decifrar essas palavras, há que preencher os pormenores respeitantes ao eu em questão, especificar aquilo que não existirá, tornar concreto o nosso receio.
O poema de Larkin sugere um modo de decifrar aquilo que Larkin receava. O que Larkin receia que se extinga é a sua lista de carga indiossincrática, o seu sentido individual do que é possível e importante. Foi isso que tornou o seu eu diferente de todos os outros eus. Perder essa diferença é, considero eu, aquilo que qualquer poeta - qualquer fazedor, qualquer pessoa que espera criar algo de novo - receia. Qualquer pessoa que passe a sua vida a tentar formular uma resposta nova à questão de saber o que é possível e importante receia a extinção dessa resposta.
Isto, porém, não significa simplesmente que se receie que as nossas obras se percam ou sejam ignoradas, já que esse medo se vai confundir com o medo de que, mesmo se as obras forem preservadas e não passarem despercebidas, ninguém encontre nada de distintivo nelas. As palavras (ou as formas, os teoremas ou os modelos da natureza física) obedecendo à disposição que se lhes der podem parecer meros artigos armazenados, arrumados segundo determinados preceitos. Não teremos nesse caso imprimido a nossa marca na linguagem, mas, em vez disso, teremos passado a nossa vida a dar passos já dados. Assim, não teremos tido um eu de forma alguma. As nossas criações e o nosso eu serão apenas casos melhores ou piores de tipos familiares. A isto chama Harold Bloom «a forte angústia da influência do poeta», o seu «horror de descobrir que é apenas uma cópia ou uma réplica».
Nesta leitura do poema de Larkin, o que seria conseguir identificar a «marca cega» que todos os nossos «comportamentos apresentam»? Seria, presumivelmente, perceber aquilo que é distintivo relativamente a cada um de nós - a diferença entre a nossa própria lista de carga e as das outras pessoas. Se se conseguisse passar esta identificação para o papel (ou para a tela ou para a película) - se conseguíssemos encontrar palavras ou formas distintivas para a nossa própria natureza distinta - teríamos demonstrado não sermos apenas uma cópia ou uma réplica. Seríamos tão fortes como qualquer poeta o foi, o que significa ser tão forte quanto um ser humano pode alguma vez ser. Pois saberíamos exactamente o que é que irá morrer e, portanto, saberíamos em que é que conseguimos tornar-nos.


R. Rorty in Contingency, Irony and Solidarity, Cambridge University Press, 1989.



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