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quarta-feira, 28 de setembro de 2005

 
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Elegia dos portões


Foto de Lilya Corneli


Esta é uma elegia
dos tão rectos portões que alargavam a sombra
numa praça de terra.
Esta é uma elegia
que se lembra de um longo esplendor inclinado
que alguns entardeceres davam aos baldios.
(Até nos próprios becos havia céu que chegasse
para a felicidade
e os taipais tinham a cor das tardes.)
Esta é uma elegia
de um Palermo traçado em vaivém de memória
e que flui no estertor de cada esquecimento.

Raparigas comentadas por valsas de pianola
ou pelos maiorais de corneta insolente
dos 64,
conheciam nas portas a graça da espera.
Havia ecos de tunas
e o regato hostil do Maldonado
— menos água que barro na estiagem —
e atrevidas veredas onde flamejava o gume
e uma fronteira de apitos de ferro.

Houve coisas felizes,
coisas que só serviram pra alegrar as almas:
o canteiro no pátio
e o andar gingão de algum compadre.
Palermo do início, possuías
umas tantas milongas para seres valente
e um baralho crioulo pra esconder a vida
e umas albas eternas pra saber a morte.

O dia era maior nos teus caminhos
que nas ruas do centro,
porque nos teus buracos se aninhava o céu.
Carruagens de flancos sentenciosos
cruzavam a manhã
e os armazéns eram meigos nas esquinas
como se esperassem por um anjo.
Da minha rua alta (é coisa de uma légua)
vou procurar lembranças nas ruas nocturnas.
Este assobio de pobre penetra nos sonhos
dos homens que dormem.

A figueira que assoma a um pequeno muro
dá-se bem com a minha alma
e é mais doce o rosa das tuas esquinas
que o das nuvens suaves.

J. L. Borges in Caderno San Martín, 1929.



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