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sexta-feira, 7 de outubro de 2005

 
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O punhal


Foto de Delphine LeBerre



A Margarita Bunge


Numa gaveta há um punhal.
Foi forjado em Toledo, nos fins do século passado; Luis Melián Lafinur deu-o ao meu pai, que o trouxe do Uruguai; Evaristo Carriego teve-o uma ou outra vez nas mãos.
Quem o vê tem de brincar um bocado com ele; nota-se que o procuravam há muito; a mão apressa-se a apertar o cabo que a espera; a lâmina obediente e poderosa brinca com precisão na bainha.
Outra coisa quer o punhal.
É mais que uma estrutura feita de metais; os homens pensaram-no e deram-lhe forma para um fim muito preciso; de certo modo é eterno, o punhal que esta noite matou um homem em Tacuarembó e os punhais que mataram César. Quer matar, quer derramar brusco sangue.
Numa gaveta do escritório, no meio de rascunhos e cartas, interminavelmente sonha o punhal o seu simples sonho de tigre, e a mão anima-se quando o segura porque o metal se anima, o metal que pressente em cada contacto o homicida para quem o criaram os homens.
Às vezes dá-me pena. Tanta dureza, tanta fé, tão impassível ou inocente soberba, e os anos passam, inúteis.

J. L. Borges in Evaristo Carriego, 1930.



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