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terça-feira, 31 de outubro de 2006

 
Tlon, Uqbar, Orbis Tertius


Foto de Anthony Indianos



Devo à conjunção de um espelho e de uma enciclopédia a descoberta de Uqbar. O espelho perturbava o fundo de um corredor numa quinta da rua Gaona, em Ramos Mejía; a enciclopédia enganosamente chama-se The Anglo-American Cyclopaedia (New York, 1917) e é uma reimpressão literal, mas também morosa, da Encyclopaedia Britannica de 1902. O facto produziu-se haverá cinco anos. Bioy Casares jantara comigo essa noite e deteve-nos uma ampla polémica sobre a execução de um romance na primeira pessoa, cujo narrador omitisse ou desfigurasse os factos e incorresse em diversas contradições, que permitissem a uns poucos leitores — a muito poucos leitores — a adivinhação de uma realidade atroz ou banal. Do fundo remoto do corredor, o espelho espreitava-nos. Descobrimos (alta noite essa descoberta é inevitável) que os espelhos têm algo de monstruoso. Então Bioy Casares lembrou que um dos heresiarcas de Uqbar tinha declarado que os espelhos e a cópula são abomináveis, porque multiplicam o número dos homens.


Jorge Luis Borges in Tlon, Uqbar, Orbis Tertius, Nova Antologia Pessoal, 1968.



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