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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

 
À memória de Rafael Monteiro


Painel do Arcebispo, Museu Nacional de Arte Antiga


Ainda os painéis
"de Nuno Gonçalves"

S. Tomaz de Cantuária?

(parte 3)


Para estudo dos eruditos, damos, em hors-texte, a reprodução de dois quadros em que figura o Arcebispo de Cantuária: o "Martírio" e os "Funerais", ambos do pincel de Michael Pacher, austríaco, que os pintou depois de 1467 (o pintor faleceu em 1498); guardam-se, ou guardavam-se, no Museu Joanneum, em Graz — ao sul da Áustria.
Tais quadros — contemporâneos das nossas "tábuas" — mostram-nos os padres agrupados como os pintados no painel chamado "dos cavaleiros"; curiosamente os revestem iguais sobrepelizes.
Em 1959, o Revº Padre Dr. António Leite escreveu: "As sobrepelizes ou alvas que ostentam os cónegos no painel do Arcebispo, por baixo das capas, e que se vêem ainda melhor nas tábuas laterais, talvez também nos pudessem oferecer algum elemento de identificação. Usar-se-iam em Portugal daquela forma?"
À inteligente interrogação ainda não responderam os nossos investigadores.



Michael Pacher, "Os Funerais de S. Thomaz Becket"




Michael Pacher, "O Martírio de S. Thomaz Becket"


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Naturalmente a pergunta aflora: mas quando, em Portugal, houve interesse ou devoção pelo mártir de Cantuária, ao qual nada nos liga? (Muitas são as notícias sobre S. Tomaz, em épocas diversas, prova do culto que lhe tributaram. P. ex.: no tardio período que decorre entre os anos de 1732 a 1737, ainda era dado a uma nau portuguesa o nome de "S. Tomaz de Cantuária"; no ano de 1685 professou em Alcobaça um religioso arrábido que tomou o nome de Frei Tomaz de Cantuária; Luís Fróis, na "História do Japam" (cap. 11º da 2ª parte), ao contar a morte do irmão Damião, escreveu: "E logo dahi a tres dias depois que adoeceo, que foi dia do Gloriozo Martyr S. Tomaz Arcebispo de Cantuária"; na "História das Guerras Angolanas" (escrita no século XVIII?) assim se descreve a igreja da Misericórdia de Luanda: "... e o altar-mor em baixo com dourado e fermoso Sacrário, com mais dous colaterais aos lados, um do Bom Jesus e outro de São Tomaz, Arcebispo de Cantuária".).
Andamos esquecidos da verdade, ou desconhecemo-la. Só sabemos história.
Um dos mais devotos fiéis de S. Tomaz foi o Infante D. Henrique, o culto e oculto homem da templária Ordem de Cristo, cujo Capítulo Geral, por determinação do Infante, teve lugar em Tomar, em 19 de Maio de 1426, "dentro do convento e igreja de Sam Thomas".
Não esqueçamos que o Infante, Lencastre por sua mãe, nasceu e cresceu entre crenças e usos da corte inglesa. Fr. João Álvares atesta a observância de um rito inglês, o de Salisbury, na corte portuguesa após o casamento de D. João I. (Tem interesse saber que a já citada Raymonde Foreville mostra ser o Breviário de Cantuária protótipo do Breviário de Salisbúria).
Mas, a ascendência inglesa do Infante será bastante para justificar a devoção, tão intensa, por S. Tomaz?
Talvez não. (Já D. Pedro falecido antes da união das casas reais, possuía como relíquia o anel "de oiro e safira" que ao Santo pertencera).
Pensamos que o culto se entrelaça noutro — mais antigo e notável: o culto a S. Tomé Apóstolo (Patrono dos Arquitectos e Geómetras), Padroeiro de Portugal, ao qual Camões assim rogava:

"Pedimos te, que a Deos ajuda peças,
Com que os teus Lusitanos favoreças".

O nosso povo ainda quer "ver e crer como São Tomé". E as outras classes? Que as levou a esquecer o Apóstolo, pescador da Galileia?

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O velho culto terminou no século XVIII, pela criação do Patriarcado de Lisboa, do qual foi D. Tomaz, Bispo do Porto, o primeiro Prelado. (Quando D. Manuel mandou edificar os "Paços da Ribeira", em Lisboa, no ano de 1500, neles mandou erguer a Capela Real (até então nos Paços de Alcáçova) dedicada ao Apóstolo S. Tomé. Em 1710 elo Breve de 1 de Março, Clemente XI erigiu a velha Capela Real em "Real e Insigne Colegiada de S. Tomé". Mas D. João V não ficou satisfeito... E o mesmo Papa, pela "Bula Áurea" de 7 de Novembro de 1716 concede o título de Igreja Patriarcal à Capela Real. O Bispo do Algarve, como executor da mesma Bula, expede em 23 de Dezembro daquele ano uma "sentença", na qual determina: "... e que a Catedral desta Metrópole será a Insigne Colegiada da Capela Real de Invocação de S. Tomé, cujo título, orago e natureza se suprimirá, exaltando-se a verdadeira de Arquiepiscopal e Igreja Metropolitana, debaixo da invocação de Nossa Senhora da Assunção".
33 anos depois, em Outubro de 1749, a Inglaterra tomava à Coroa de Portugal S. Tomé de Meliapor, no longínquo Malabar, lugar onde se acreditava estar o túmulo do Apóstolo que na Índia morreu trespassado à lançada, lugar sempre venerado pelos portugueses antigos.). (Seis séculos antes, na mesma cidade de Lisboa, D. Gilberto, eclesiástico inglês, era por D. Afonso Henriques eleito chefe da sua Igreja).

O homem estranho, sem par entre as outras figuras, que — no painel chamado "dos frades" — se encosta a um madeiro, a cabeça coberta com um gorro onde foi pintada grande e simples cruz, não é memória do milagre que Camões cantou, não representa um membro da comunidade oriental dos "cristãos de São Tomé?" (A cristandade de S. Tomé tem hoje cerca de dois milhões e meio de membros. Nas "Relações" dos padres em missão no Oriente são frequentes as alusões ao culto e aos cristãos de São Tomé).

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Tivemos já ocasião de apontar o transcendente acto de unção dos Reis medievos. Será oportuno dizer que o Papa Martinho V concedeu a D. João I (por intervenção de seu filho, o Infante D. Pedro) o raro previlégio de ser ungido, idêntica graça havendo sido concedida pelo Papa Eugénio IV a D. Duarte e a seu filho D. Afonso V. (Uma das preciosas obras que se guardam na rica Biblioteca de Évora, é o códice de pergaminho, magnificamente iluminado, ostentando as armas de Portugal e de Inglaterra (cota CV/1-36), cópia do "Ceremonial" da Capela de Henrique VI de Inglaterra, feita pelo Decano da mesma Capela a pedido de D. Afonso V. "Cerimonial" para a coroação? (Devemos esta informação ao nosso amigo Carlos Francisco Moura, Prof. da Universidade de Brasília e operoso investigador).

Olhemos mais uma vez as celebradas "tábuas".
São poucas as figuras em oração. No "painel do Infante" oram: o homem do chapeirão, e o clérigo, postado atrás, em atitude de patrono ou protector. À frente ajoelha alta personagem real — como por todos tem sido afirmado e confirmado.
No "painel do Arcebispo" a ordenação das personagens é rigorosamente similar: junto ao Santo ora personagem de alta gerarquia; por detrás, orando, o Bispo — em atitude de patrono ou protector. À frente ajoelha alta personagem real.
Se quisermos fazer uso da razão, somos obrigados a aceitar que são da mesma gerarquia e de igual grau as duas personagens que, frente ao Santo, dobram um joelho, graça só a Monarcas concedida.
Talvez houvesse interesse na tentativa de identificar alguns dos retratados com membros da nobreza de Inglaterra. Não têm certos autores considerado o Santo físicamente semelhante a algumas figuras que o rodeiam?
Segundo o nosso critério só 12 figuras, além da central, são identificáveis no políptico: as dos primeiros planos das tábuas centrais, e as duas dos "patronos" ou "protectores". As restantes, embora pintadas do natural, são meramente representativas de classes ou de profissões.

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Sem aparato erudito, chã e claramente, lembrámos. Com um pouco mais de trabalho talvez a lembrança conduza à certeza. Ainda se guardam segredos na cidade de Tomar. Pedro Álvares Sêco, cronista da Ordem de Cristo, escreveu, em belos pergaminhos, sobre a "razão porque se dedicou esta egreja do convento (de Cristo) a San Thomas arcebispo cantuariense do reino de Inglaterra". Não o lemos, mas estamos certos de que ele poderá ajudar os nossos investigadores.
Aos estudiosos que queiram "ligar" o que escrevemos, o que sugerimos e o que omitimos, cabe pronunciarem-se.

Castelo de Sesimbra,
aos 18 de Maio de 1973.

Rafael Monteiro



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