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terça-feira, 15 de maio de 2007

 
Cristo na cruz


Deusa Siva (objectos pessoais de Borges).




Cristo na cruz. Os pés tocam na terra.
Os três madeiros são da mesma altura.
Cristo não está no meio. É o terceiro.
A negra barba cai-lhe sobre o peito.
O rosto não é o rosto das gravuras.
É agreste e judeu. Não posso vê-lo
e hei-de procurá-lo até ao dia
último dos meus passos pela terra.
O homem alquebrado sofre e cala.
A coroa de espinhos dilacera-o.
Não o atinge o escárnio da gentalha
que viu essa agonia tantas vezes.
A sua ou a de alguém. É sempre igual.
Cristo na cruz. Desordenadamente
pensa no reino que talvez o espere,
pensa numa mulher que não foi sua.
Não lhe foi dado ver a teologia,
Trindade indecifrável ou os gnósticos,
a navalha de Occam, as catedrais,
a liturgia, a púrpura ou a mitra,
a conversão de Guthrun pela espada,
a Inquisição, o sangue de mil mártires,
as atrozes Cruzadas, Joana d'Arc,
o Vaticano que abençoa exércitos.
Sabe não ser um deus e ser um homem
que morre com o dia. Não se importa.
Importa-lhe o cruel ferro dos pregos.
Não é romano. Não é grego. Geme.
Quis deixar-nos esplêndidas metáforas
e uma doutrina do perdão que pode
anular o passado. (Essa é a frase
que na prisão escreveu um irlandês.)
Procura o fim a alma, pressurosa.
Está mais escuro o dia. Já morreu.
Anda uma mosca pela carne quieta.
De que pode servir-me que aquele homem
tenha sofrido, se sofro eu agora?

Quioto, 1984.

J. L. Borges in Os Conjurados, 1985.



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