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terça-feira, 24 de novembro de 2009

 
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Todos os seres humanos se fazem acompanhar de um conjunto de palavras que empregam para justificar as suas acções, as suas crenças e as suas vidas. São as palavras nas quais formulamos o louvor dos nossos amigos e atacamos os nossos inimigos ou nas quais formulamos os nossos projectos a longo prazo, as nossas dúvidas pessoais mais profundas e as nossas mais elevadas esperanças. São as palavras nas quais, por vezes prospectivamente e por vezes retrospectivamente, contamos a história das nossas vidas. Chamarei a essas palavras o «vocabulário final» de uma pessoa.
Esse vocabulário é «final» no sentido em que, se se lançar dúvida sobre o valor dessas palavras, o seu utilizador não tem qualquer recurso argumentativo não circular. Tais palavras constituem o ponto até onde ele pode ir com a linguagem: além delas não há mais do que uma passividade desamparada ou um recurso à força. Uma pequena parte de um vocabulário final é feita de termos delgados, flexíveis e ubíquos, tais como «verdadeiro», «bom», «certo» e «belo». A maior parte contém termos mais espessos, mais rígidos e mais locais, tais como, por exemplo, «Cristo», «Inglaterra», «padrões profissionais», «decência», «amabilidade», «a Revolução», «a Igreja», «progressista», «rigoroso» ou «criativo». Os termos mais locais fazem a maior parte do seviço.


Richard Rorty in Contingência, Ironia e Solidariedade - (4) Ironia privada e esperança liberal, 1989.



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