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segunda-feira, 18 de abril de 2011

 
Hopper



A solidão é o tema dominante. As figuras de Hopper parecem longe de casa; estão sentadas ou de pé, mas sempre solitárias, lendo uma carta sentadas numa cama de hotel ou bebendo num bar, olhando pela janela de um comboio em andamento ou com um livro nas mãos numa sala de hotel. Têm rostos vulneráveis e ensimesmados. Talvez tenham acabado de deixar alguém ou de ser deixadas por alguém; procuram trabalho, sexo ou companhia, à deriva por lugares de passagem. Muitas vezes é de noite e do outro lado da janela ficam a escuridão e a ameaça do campo aberto ou de uma cidade estranha.
Em Autómato (1927), vemos uma mulher sentada que toma uma chávena de café. É tarde e, a julgarmos pelos seus chapéu e casaco, está frio lá fora. A sala parece ampla, abundantemente iluminada e vazia. A decoração é funcional, com uma mesa de tampo de pedra, sólidas cadeiras negras de madeira e paredes brancas. A mulher tem um olhar tímido e vagamente assustado, à falta de hábito de se ver sentada e só num local público. Há qualquer coisa que parece ter-lhe corrido mal. Convida involuntariamente o espectador a imaginá-la envolvida em histórias de traição ou perda. Serão talvez umas onze da noite, e o mês de Fevereiro de uma grande cidade norte-americana.
Autómato é um quadro que pinta a tristeza — mas não é um quadro triste. Tem a força de uma grande peça de música melancólica. A despeito da sobriedade do recheio, o local não parece inóspito. Pode ser que haja outros clientes, a sós consigo próprios, na sala: mulheres e homens mergulhados nos seus próprios pensamentos que tomam café, cada um no seu lugar, todos igualmente alheados da existência da sociedade — alheamento comum que tem o efeito benéfico de atenuar a opressão da pessoa que tem a impressão de que só ela está só. Nos restaurantes rápidos à beira da estrada e nas cafetarias onde é noite e se faz tarde, nas salas de hotel e nos cafés das estações, é-nos dado diluir o nosso sentimento de isolamento na atmosfera solitária de um lugar público, redescobrindo assim uma característica impressão de comunidade. O ambiente que nada tem de doméstico, a claridade da iluminação e o recheio anónimo aliviam-nos do que poderia ser o falso reconforto da casa. Talvez seja mais fácil lidar com a tristeza aqui que numa sala-de-estar forrada de papel de parede e com fotografias emolduradas, cenário que evoca um refúgio que não nos dá abrigo.
Hopper convida-nos a uma atitude empática perante o isolamento da sua figura de mulher. Esta tem um ar digno e generoso, talvez apenas um nada confiante em demasia, um nada ingénua — como se tivesse chocado com uma esquina dura do mundo. Hopper põe-nos do lado dela, do lado dos que estão fora de casa por oposição aos dos que estão dentro. Os personagens de Hopper não são propriamente hostis ao interior do espaço doméstico, acontece simplesmente, que de uma ou outra de várias maneiras não definidas, a esfera doméstica parece tê-los traído, forçando-os a saírem para a noite ou a fazerem-se à estrada. O restaurante rápido que funciona vinte e quatro horas por dia, a sala de espera da estação ou do motel são santuários para aqueles que, por nobres razões, não conseguiram descobrir um lar no mundo habitual, santuários para aqueles que Baudelaire honraria com o nome de "poetas".

Alain de Botton in A arte de viajar, 2004.



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